Novo deslizamento de lixo é registrado no aterro sanitário Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO)
Cerca de 3 mil toneladas de resíduos desabaram no mesmo local do incidente ocorrido em junho, segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás
Um novo deslizamento de lixo foi registrado no aterro sanitário Ouro Verde, localizado no distrito de Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), no Entorno do Distrito Federal. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás (Semad), cerca de 3 mil toneladas de resíduos desabaram na noite desta quarta-feira (12).
A área atingida é a mesma onde ocorreu o primeiro desabamento, em junho deste ano, quando mais de 42 mil toneladas de lixo caíram sobre o curso do córrego Santa Bárbara. Na ocasião, o material provocou contaminação da água e precisou ser removido pela própria empresa responsável.
Desta vez, segundo a Semad, não houve contaminação do córrego, que passa dentro da área do aterro. Técnicos da secretaria estão no local desde as primeiras horas da manhã para avaliar os impactos e identificar possíveis riscos.
A principal suspeita é de que o novo deslizamento tenha sido provocado pelas chuvas recentes, que podem ter causado instabilidade na pilha antiga de resíduos, estimada em 250 mil toneladas.
A Semad informou ainda que não há imagens do local após o novo desabamento, mas que elas serão divulgadas assim que estiverem disponíveis.
📄 Nota oficial da Secretaria de Meio Ambiente de Goiás (Semad):
“A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) foi notificada, no começo da noite de quarta-feira (12), a respeito de um novo deslizamento de resíduos sólidos no lixão da empresa Ouro Verde, em Padre Bernardo. A comunicação foi feita pelos representantes dos donos do empreendimento.
O deslizamento aconteceu na pilha antiga, a mesma em que houve o primeiro desabamento no dia 18 de junho de 2025, e não na pilha formada pelos resíduos que foram removidos do córrego Santa Bárbara nos últimos meses. Esse maciço antigo tem cerca de 250 mil toneladas e estima-se que 3 mil toneladas tenham deslizado na quarta.
A equipe de fiscalização da Semad está no local desde as primeiras horas da manhã e constatou que, dessa vez, não houve contaminação do córrego Santa Bárbara.
Acredita-se que o episódio tenha sido causado pelas chuvas que caíram na região, o que pode ter provocado instabilidade no maciço.
A Semad ainda não tem imagens do local depois do ocorrido, mas as enviará assim que as tiver. A pasta solicita que os pedidos de entrevista sejam feitos após a consolidação das informações.”
O JN apurou:
O JN conversou com moradores da região, que vivem dias de medo e indignação. O forte odor, o risco de contaminação e a lembrança do primeiro desabamento voltaram a assombrar a comunidade. Muitos relatam que o chão ainda treme e o ar tem gosto de lixo e incerteza.
Entre olhares desconfiados e vozes cansadas, o sentimento é um só: revolta. A população pede que a Justiça aja com firmeza, que a fiscalização não feche os olhos e que, desta vez, alguém seja responsabilizado de verdade.
“A gente vive com medo. Parece que o lixo vai desabar de novo a qualquer momento”, disse um morador ao JN.
Enquanto as autoridades prometem novas vistorias, o povo de Vendinha, Ouro Verde e Monte Alto — distritos de Padre Bernardo (GO) — quer o que sempre esperou: respeito, segurança e resposta.



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