Trump aplica sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky
Ministro do STF é acusado pelos EUA de violar direitos humanos e restringir liberdades. Medida inédita tensiona relações entre os países.
WASHINGTON, EUA – 30 de julho de 2025 – O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (30) a imposição de sanções inéditas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Alexandre de Moraes. A decisão foi oficializada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro americano.
A medida, fundamentada na Lei Magnitsky, representa a primeira vez que um magistrado de Suprema Corte de um país democrático é incluído nessa lista de sanções, provocando forte repercussão internacional.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent:
“Alexandre de Moraes foi responsável por ações politizadas que silenciaram opositores e restringiram liberdades fundamentais. Isso inclui ordens judiciais que afetaram empresas e indivíduos nos Estados Unidos.”
A Lei Magnitsky e suas implicações
Aprovada em 2012 e ampliada em 2016, a Lei Magnitsky autoriza o governo dos EUA a aplicar sanções unilaterais contra estrangeiros acusados de corrupção ou abusos de direitos humanos. As punições incluem congelamento de bens em território americano, cancelamento de vistos e bloqueio de transações com cidadãos ou empresas norte-americanas.
Acusações contra Moraes
O Departamento do Tesouro alega que Moraes liderou ações abusivas, como a suspensão de plataformas digitais, bloqueios de redes sociais como a Rumble e a Trump Media & Technology Group, além de ordenar prisões de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado republicano Rich McCormick declarou:
“O caso da suspensão da rede social X (ex-Twitter) no Brasil em 2024 é emblemático. Trata-se de uma violação direta à soberania das plataformas americanas.”
A articulação política contou com apoio direto de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente radicado nos EUA:
“Estamos apenas começando a responsabilização de Moraes. A liberdade venceu”, escreveu ele no X.
Efeitos práticos das sanções
Com a inclusão na lista, Moraes teve todos os seus ativos financeiros em jurisdição americana congelados e está impedido de realizar transações com instituições ou cidadãos dos EUA. Seu visto de entrada no país e o de seus familiares foram revogados em 18 de julho.
A deputada María Elvira Salazar afirmou:
“A sanção é uma resposta proporcional a quem ameaça os pilares da democracia e da cooperação internacional.”
Apesar do impacto diplomático, especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que as sanções não interferem diretamente nas funções de Moraes no Brasil.
Reação do Brasil
O Itamaraty reagiu com nota oficial:
“A medida é indevida e ofensiva à soberania nacional. O Brasil repudia qualquer tentativa de interferência nos assuntos internos de seu Poder Judiciário.”
O presidente Lula também criticou:
“Nenhum país tem autoridade para interferir na Justiça brasileira. Isso é inaceitável.”
Já o ministro Gilmar Mendes declarou:
“O Judiciário brasileiro é independente. Não aceitaremos ingerência estrangeira travestida de sanção.”
Enquanto isso, aliados de Bolsonaro celebraram a medida, incluindo o próprio Eduardo Bolsonaro:
“É o primeiro passo para responsabilizar Moraes por seus abusos.”
Críticas à politização da Lei Magnitsky
Organizações como a Human Rights First e a Freedom House expressaram preocupação. Em nota, a HRF afirmou:
“O uso da legislação contra um magistrado de uma democracia consolidada representa um precedente delicado que pode minar a credibilidade do instrumento.”
Para Michael Scharf, professor de direito internacional da Universidade de Georgetown:
“Há um risco evidente de a Lei Magnitsky ser transformada em ferramenta de pressão política, e não mais de justiça internacional.”
Próximos passos
Para revogar as sanções, Moraes deverá comprovar inocência ou mudar substancialmente sua conduta. O presidente dos EUA também pode anulá-las por interesse nacional, mediante comunicação ao Congresso.
“Essas decisões são revisadas periodicamente. O ministro brasileiro pode buscar diálogo com o Tesouro para apresentar sua defesa”, afirmou Mark Hollman, porta-voz do Departamento de Estado.
O STF estuda medidas de resposta institucional, considerando a decisão um ato político com potencial de acirrar as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA.



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